O líder - FLÁVIO SARAIVA*

FLÁVIO SARAIVA*
Na primeira semana de novembro os Yankees de Nova Iorque conquistaram o campeonato mundial de beisebol e a cidade foi tomada por uma grande festa, assemelhada às festas brasileiras pelas conquistas da seleção canarinha. Só que na big Apple a festa tinha um convidado muito especial – a polícia da cidade, conhecida mundialmente pela sigla NYPD (Departamento de Polícia de Nova Iorque). Os Yankees e o NYPD são as duas marcas mais visíveis da cidade, sendo missão quase impossível não encontrá-las em qualquer que seja o local, até mesmo nos produtos que servem de lembrança aos seus visitantes.
A relação dos novaiorquinos com sua polícia não era muito respeitosa até o início da administração do prefeito Rudolph Giuliani no ano de 1994. Como as grandes mudanças não ocorrem sem a presença de grandes líderes, coube a Giuliani a missão da transformação. Com instrumentos de gestão amplamente divulgados e copiados pelo mundo, foram construídos os pilares da nova polícia, iniciando pelo expurgo dos maus policiais e a consequente admissão de novos quadros, com significativas mudanças na formação. Daí seguiu-se a política da tolerância zero, onde os autores de pequenos delitos punidos com penas que desestimulavam a reincidência, amplas campanhas para o desarmamento, definição de metas na redução dos índices da violência com cobrança sistemática dos resultados, emprego de tecnologia avançada e investimentos. Os índices do crime despencaram e a relação da polícia com o cidadão passou a ser fundamentada nos princípios da cordialidade, respeito e profissionalismo, estampados em todas as viaturas policiais.
O líder não conseguia admitir os conselhos dados aos munícipes, para que evitassem olhar nos olhos das outras pessoas, não transitar em determinados bairros, e outras tantas recomendações que hoje, nós brasileiros, estamos cansados de ouvir das nossas autoridades policiais. Giuliani trouxe a responsabilidade para si e resolveu.
Um Garotinho que governou o Rio de Janeiro pretendeu fazer o mesmo, mas os resultados foram proporcionais à grandeza que seu nome sugere. Em contrapartida, o atual governador Sérgio Cabral dá demonstrações de sua determinação em resolver os problemas da segurança dos cariocas, assumindo ele mesmo os erros e acertos dos movimentos das forças policiais na guerra contra o crime, e tem um modelo a seguir – o NYPD.
Alexandre – o Grande da Macedônia –, montando Bucéfalo, fazia questão de ser a ponta da linha de guerreiros em combate, e assim os conduzia às vitórias.
A guerra que os alagoanos travam contra o crime exige liderança e não precisa vir a cavalo.
(*) É delegado da Polícia Civil (flaviosaraivas@gmail.com).